Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Sentir-se inferior

Atualizado

Quem pensa que é, costuma não ser. Alguém que ande entre as pessoas pensando que é alguma coisa, não é nada ou é muito pouco. Claro que temos que ter uma ideia de nossas competências, mas colocando o pé no freio. Sabemos que há, sempre haverá, alguém melhor do que nós. Quem não pensar assim será um ser ridículo. Aliás, o sentimento de inferioridade é inerente ao ser humano, vem desse sentimento o queixo erguido, a prepotência de muitas pessoas. Elas se defendem mentindo a elas mesmas, não se garantem como gostariam.

Você já deve ter entrado na sala de alguém e se sentido “menor”, pisando em ovos, certo? Todos já passamos por isso. O curioso, e poucos imaginam isso, é que a pessoa que está “atrás da mesa” também não se garante, ela pode arrotar mais alto à sua frente, mas só o fará para acalmar-se, é um processo quase inconsciente. Ninguém se garante. Mas esse sentimento de inferioridade não é de todo ruim.

Esse sentimento tem sido o alicerce do progresso pessoal. Levantar da cadeira da inferioridade leva-nos a agir, a buscar competência, mais segurança, através de alguma coisa que possamos fazer benfeito ou melhor que os outros.  E não há quem não possa compensar o sentimento de inferioridade. – Ah, Prates, mas eu não tenho esse sentimento! Nem vou dizer o que penso dessa afirmação… Viver é comparar-se. Mas como disse, esse sentimento é a mola que nos joga para cima, desde que tenhamos aguda consciência dele, e levantemos para a ação. Vou dar um exemplo pessoal, meu.

Um dia, fazendo reportagens num jogo de basquete entre Grêmio Náutico União, de Porto Alegre, e All Stars, dos Estados Unidos, eu tinha 18 anos, fui constrangido por uma guria de uns 15, 16 anos, não mais. Um repórter de jornal queria ouvir os americanos e me pediu para ajudá-lo. Não pude, não falava inglês. A tal guria entrou na conversa e fez a entrevista, ela era fluente em inglês. O sentimento de inferioridade mexeu com meus genes, saí do ginásio furioso para aprender inglês. O sentimento de inferioridade, alguns anos depois, me levou a ser repórter da Voz da América, a emissora oficial dos Estados Unidos. Sentir-se inferior pode ser a porta escancarada para nosso crescimento… Ou, afundarmos ainda mais nos queixumes.

 

NOÇÃO

Ontem fiquei sabendo de uma pessoa que convidou para seu padrinho de casamento um chefe. Um superior seu na empresa onde trabalha. Erradíssimo. O convite passa por suspeitas e o chefe se aceitar vai ficar mais tarde numa saia-justa. E se o “apadrinhado” aprontar no trabalho? Erro crasso convidar chefes para padrinhos ou para festinhas em casa. Constrangedor e contraindicado. Convide um vizinho.

 

FALTA DIZER

Fico sabendo de casos e casos… Uma jovem mulher noivou. Sim, noivou, o que está fora de moda. Poucos dias depois do noivado, foi convidada pela empresa onde ela trabalha para uma nova função, em outro Estado. Tudo para melhor na vida dela. Sabes da maior? Ela não aceitou o convite, tinha acabado de noivar. Burra.

 

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