Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

“Ô, garota, tu bem que podias ser modelo” !

Tudo pode ser e tudo pode não ser. Quem levar tudo à ponta de faca vai se dar mal na maior parte do tempo. Nem tudo que reluz é ouro, não é assim que diz o ditado? E esse ditado não veio do nada, veio da arguta sabedoria popular.

Digo o que digo, leitora, porque um colega me contou, sem-graça, que entrou numa fria. Ele crê que entrou numa fria. Contou-me que passou por uma colega nos corredores da empresa, colega nova para ele, e, sorrindo, disse a ela: – “Ô, garota, tu bem que podias ser modelo”! Não disse mais nada. Agora eu pergunto à leitora:

– Que leitura, leitora, tu fazes dessa frase? Como não consigo ouvir a tua resposta, vou arriscando por aqui. A primeira hipótese: o sujeito achou a garota, a colega, muito bonita, tão bonita ao ponto de lembrá-la para modelo. Tu sabes que as modelos não podem ser um “bicho”, precisam ser ajeitadinhas, no mínimo.

A outra leitura, afinal, tudo pode ser e tudo pode não ser, é que o sujeito, o homem da história, tenha insinuado um “assédio”. Será? Não creio.

Tudo está muito chato, chatíssimo. Tudo o que é dito ou feito está sendo interpretado por múltiplas cabeças e de múltiplos modos, todos, quase sempre, pelo viés errado. Tudo pode ser, tudo pode não ser, depende da cabeça de cada um. Afinal, sabemos que nossas percepções e reações são moldadas por nossas vivências ao longo da vida.

– Ah, esquecia de dizer, o meu amigo, o educado que disse que a colega podia modelo, murchou. Enfiou a viola no saco e emburrou. Passa pela garota, nem tão garota assim, e faz que não a vê, não crer encrenca. Que diachos, você faz uma frase elevada, um elogio, e a outra parte toma o bonde errado…

Pois é, leitora, leitor, tudo está muito chato. Uma miserável piada que você conta pode levá-lo para o inferno, não vai faltar um tosco para dizer que é preconceito, que há segundas intenções na piada, isso e aquilo. Chegamos ao ponto de não arriscar em mais nada e assim nos tornamos sem-graça, tomados por mal-humorados, antissociais. Preferível. Mas que ela bem que podia ser modelo, ah, podia… Vi uma foto.

 

FERRO

É isso mesmo, ferro nos vadios, nos mandriões. Ouça esta manchete: – “Educação profissional gera pouco interesse”. São cursos profissionalizantes oferecidos “de graça”, mais das vezes, e nem assim os marginais do trabalho aceitam a oferta. Depois se queixam dos governos. Ferro nos vadios. Aliás, são também os que não aceitam trabalhar nos fins de semana… Safados.

 

FALTA DIZER

Em Florianópolis é o que mais acontece… Você sabia que em muitas empresas quando há dois candidatos disputando uma mesma vaga, um da cidade e outro de fora, a possibilidade maior é para o de fora? As empresas entendem que os de fora têm mais pique, mais garra, precisam mais… Discutível, mas eu também decidiria assim; na dúvida, melhor não arriscar: ao de fora a vaga.

 

 

 

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