Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

CRÔNICA: “Muito obrigado, Marquinhos Santos”

Atualizado

O escritor Nelson Rodrigues costumava avaliar o craque Zizinho com a seguinte frase: “Não há bola de futebol que seja indiferente a ele”. Para os tempos atuais, a frase cabe exatamente nos pés do Marquinhos Santos que neste final de semana vai dar adeus aos gramados como atleta de futebol.

Será mais do que uma despedida. Será a última chance de vê-lo no gramado. O craque, ah o craque. Espécie em extinção no futebol brasileiro que aos poucos vai priorizando a parte física; as ocupações de espaços em detrimento ao drible, ao cruzamento que subverte a lógica, ao toque no “ponto futuro” e uma virada de jogo que deixa o adversário atordoado.

Sem o saudosismo rancoroso que deixa os velhos comentaristas chatos e repetitivos. É preciso seguir em frente e evoluir. Se o futebol é físico, científico e está mudando, vida que segue!

Vamos então aproveitar a presença do craque “estiloso” da melhor forma que der, enquanto há tempo. Enquanto o domingo não chega.

O Marquinhos Santos é ídolo do Avaí, mas os torcedores dos outros clubes podem ter uma ideia desse sentimento. Imaginem acordar, abrir a janela e lembrar que o Fernandes não vai mais vestir a camisa do Figueirense. Imaginem acordar, abrir a janela e lembrar que o Nardela não veste mais a camisa do Joinville. Um flamenguista sem o Zico, um vascaíno sem o Roberto Dinamite. O Corintiano sem o Sócrates?  É isso, o vazio. E a saudade já corroendo.

A despedida do polêmico M10, sim polêmico. De declaração muitas vezes provocativas, de situações nada exemplares em confusões – principalmente nos clássicos – e de polêmicas. Se a bola não fica indiferente ao Marquinhos Santos, na verdade, ninguém fica.

Ame-o ou deixe-o!

São, na verdade, mais algumas características que colocam o galego de Biguaçu como um personagem diferente, autêntico: que deixará saudades. Muitas saudades.

Se hoje, os torcedores vovôs contam que viram o Cavallazzi ou o Zenon em campo com a camisa do Avaí, se os pais contam que viram o Adilson Heleno ou o Jacaré em campo, deixando os netos com algumas dúvidas: “será que jogaram isso tudo?, não é exagero? ”, hoje esses mesmo netos, contarão no futuro para os seus filhos que viram de perto o Marquinhos Santos em campo.

E ao lembrar dos ídolos passados e das suas memórias relatadas pelos pais e vovôs, de imediato vão esclarecendo para as novas gerações do futuro: “sem exagero, ele era tudo isso.Ele jogava muita bola”.

Obrigado, Marquinhos Santos. O futebol agradece!

Marquinhos nos braços do torcedor; o adeus de um ídolo – Marco Santiago/ND – Divulgação/RIC Mais SC

Mais conteúdo