Os dez fatos mais marcantes da cultura em Joinville em 2011

O Plural preparou uma lista com os dez acontecimentos mais relevantes da área cultural em Joinville e região no ano


Rogerio da Silva/ND
Descaso. Casa da Cultura foi fechada em agosto

 

 

 

 

Esse ano será lembrado como aquele em que algumas unidades culturais de Joinville viraram notícia por causa de seus problemas estruturais. Foi o ano também de uma verdadeira invasão de shows nacionais, da reabertura de importantes espaços como o Galpão da Ajote e de mudanças na Feira do Livro. Para quem vive a arte em movimento, 2011 foi o ano da consagração joinvilense no Festival de Dança, do Grand Prix Brasil em Paulínia e da seleção de formados da Escola do Teatro Bolshoi para a maior companhia do mundo.

Para relembrar esses momentos, o Plural preparou uma lista com os dez acontecimentos mais relevantes da área cultural em Joinville e região no ano. Foram momentos que não apenas ficarão na memória, mas que já dizem muito sobre o que acontecerá (e o que precisa acontecer) na cidade em 2012.

 

- Interdição da Casa da Cultura

Infiltrações, rachaduras nas paredes, instalações elétricas precárias, pisos e assoalhos danificados. A interdição da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior no começo de agosto deixou clara a falta de manutenção na unidade, um problema conhecido há anos e que só em 2011 foi evidenciado pela Vigilância Sanitária. Com a Casa já em reforma, prevista para terminar no final do ano que vem, a Escola Municipal de Ballet, a Escola de Música Villa-Lobos, a Escola Fritz Alt e a Galeria de Arte Victor Kursancew foram transferidas para locais alternativos, como o prédio da antiga Exatoria Estadual.

 

- Transferência Museu de Arte

O Museu de Arte de Joinville também sofreu com a falta de manutenção. O casarão foi fechado em setembro e todas as exposições e a reserva técnica foram transferidas para os anexos na Cidadela Cultural Antarctica. Os recursos para a reforma virão de um convênio com o Ministério do Turismo, que ajudará também nas reformas do Museu Fritz Alt (fechado desde 2010) e do Museu Nacional da Imigração e Colonização, mas o processo licitatório foi suspenso por duas vezes porque não houve empresas interessadas.

 

- Henrique Lemes

Durante três meses, Guaramirim parou às terças e quintas-feiras para torcer por um talento da cidade. Henrique Lemes se destacou na edição de 2011 do “Ídolos” desde as primeiras audições e chegou ao Top 10 como um dos favoritos. Fã de música sertaneja, o menino de 16 anos enfrentou as críticas dos jurados, que semanalmente pediram para ele arriscar e se apresentar em outro estilo, mas o cantor caiu no gosto do público. Na final contra Higor Rocha, em julho, Henrique teve a maioria dos votos e foi consagrado como o novo Ídolo do Brasil, gravando um CD lançado no final de setembro.

 

- Festival de Dança em Paulínia

O Festival de Dança de Joinville ampliou seu foco e em outubro levou toda a sua estrutura para Paulínia, cidade no interior de São Paulo que recebeu a primeira edição do Grand Prix Brasil. Os melhores daqui foram dançar lá: Escola Pedro Ivo Campos, Academia de Dança Corpo Livre e Maniacs Crew, além dos bailarinos Felipe Rosa Cardoso e Cristiane Momm, representaram a cidade da dança num evento que consagrou o Grupo Pavilhão D (SP) como grande campeão. A abertura também teve cara joinvilense, com o espetáculo “Giselle” da Escola do Teatro Bolshoi.

 

- Melhor bailarino de Joinville

Felipe Rosa Cardoso foi o nome do 29º Festival de Dança de Joinville, em julho. Com a coreografia “City of the Dance”, o joinvilense tirou o 1º lugar em danças urbanas - solo/avançado. Ao lado dos amigos do Maniacs Crew foi outra vitória, agora em danças urbanas - conjunto/avançado. O desempenho agradou tanto que ele ainda foi eleito o melhor bailarino dessa edição do Festival, um feito e tanto ainda mais se tratando de um gênero que ainda busca espaço no evento. “Sempre falo que Deus não leva a gente pra algum lugar sem um objetivo. Comigo foi assim”, disse Felipe à época da premiação.

 

- Livro da Maria Cristina (Simdec)

Em 2011 foram mais de 300 inscritos no Edital de Apoio às Artes do Simdec (Sistema Municipal de Desenvolvimento Pela Cultura). Destes, 101 foram aprovados e dividiram os R$ 935 mil repassados diretamente para a realização de projetos culturais - entre eles estava “Se Essas Paredes Falassem”, coletânea de uma série de reportagens sobre casarões de Joinville escrita pela jornalista Maria Cristina Dias e publicada no Notícias do Dia. O lançamento ocorreu no final de outubro, juntamente com uma série de palestras ministradas pela autora em escolas da cidade.

 

- Invasão de shows nacionais

Nunca antes na história de Joinville aconteceram tantos shows nacionais num ano. Só na Festa das Flores foram três: Luan Santana, Michel Teló e Capital Inicial, mas a eclética (e enorme) lista ainda é formada por Almir Sater, Nando Reis, Maria Rita, Ney Matogrosso, Os Paralamas do Sucesso, Chitãozinho & Xororó, Milionário e José Rico, Preta Gil, Titãs, Ivete Sangalo, Paula Fernandes, Sepultura, Ja Rule, Sorriso Maroto, Raimundos e Zé Ramalho, para ficar só em alguns exemplos. O público alternativo ainda teve a chance de assistir as apresentações de Fernanda Porto, Macaco Bong e Zefirina Bomba, entre outros.

 

- Feira do Livro no Expocentro

“Era meu grande temor.” Dessa forma, a organizadora da Feira do Livro de Joinville, Sueli Brandão, definiu a mudança do local do evento, que em sua oitava edição passou da Praça Nereu Ramos para o Expocentro Edmundo Doubrawa, em abril. Mas, apesar do receio, Sueli pôde comemorar o resultado: mais de 50 mil pessoas visitaram a feira e compraram cerca de 45 mil livros, um aumento de 20% em comparação com o ano anterior. Entre os convidados estiveram Leonardo Boff, André Trigueiro, Antonio Torres e Luiz Fernando Emediato.

 

- Reabertura do Galpão

A apresentação do espetáculo “Entre a Cruz e a Espada” durante a Cena 8, em agosto, marcou um importante capítulo na história do teatro de Joinville: a reinauguração do Galpão da Ajote (Associação Joinvilense de Teatro). As reformas demoraram um ano e meio, o triplo do previsto, e resultaram em melhorias nos sistemas hidráulico e elétrico, reparos no telhado, isolamento térmico com manta acústica e substituição das madeiras do tablado. Desde então, o Galpão tem servido para uma intensa programação de grupos de teatro da cidade.

 

- Bailarinos no Bolshoi

Entre tantos bailarinos formados na Escola do Teatro Bolshoi que ganharam o mundo, dois merecem uma menção à parte. Erick Swolkin e Bruna Gaglianone foram selecionados para o Ballet Bolshoi de Moscou e desde julho integram a maior companhia de dança do mundo. O casal se uniu a Mariana Gomes, também formada no Bolshoi Brasil, mas que passou por um estágio de dois anos em Moscou antes de ser definitivamente contratada. Juntos, eles estiveram na reinauguração do Theatro Bolshoi na Rússia, em outubro, que passou por uma revitalização durante seis anos.

 

Publicado em 27/12/11-14:40


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