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Terça-Feira, 27 de Setembro de 2016
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Coleta de material reciclável é fonte de renda para 1.192 moradores de Joinville

Mulheres são maioria entre as pessoas que trabalham na atividade em cooperativas na cidade, segundo pesquisa da Secretaria de Assistência Social

Isabella Mayer de Moura
Joinville
Fabrício Porto/ND
“Apenas em equipamentos, prensas e esteiras, investimos R$ 25 mil”, revela Anderson Ramalho da Silva, presidente da Cooperativa Recicla

 

Mais do que uma atividade em prol do meio ambiente, a coleta e separação de materiais recicláveis é fonte de renda para 601 famílias joinvilenses. Um estudo desenvolvido pela SAS (Secretaria de Assistência Social) de Joinville no primeiro semestre deste ano, que acabou virando livro, revelou que 1.192 pessoas atuam nesta profissão. Entre elas está a dona Iraide Ribeiro de Paula da Costa, 61 anos, que trabalha no segmento há 13 anos e atualmente faz parte da Cooperativa Recicla.

Contente com o seu ofício por amar a natureza – e saber que está contribuindo para um ambiente melhor no futuro – , Iraide salienta a importância da rentabilidade que a atividade de reciclagem oferece. “O dinheiro que ganho aqui ajuda bastante, principalmente no tratamento que eu faço por ter tido infarto”, disse.

Iraide conta que em média ganha mais de um salário mínimo por mês, mas ela e o grupo da Cooperativa Recicla sonham mais alto. “Eu sempre falo que a gente pode chegar a R$ 2 mil por mês. Não é impossível porque quem faz nosso salário somos nós mesmos”, acrescentou ela, animada. De acordo com a pesquisa da SAS, Iraide faz parte dos 76% de trabalhadores de material reciclável de Joinville que trabalham em cooperativas e ganham entre um e dois salários mínimos.

 

Fabrício Porto/ND
"Eu sempre falo que a gente pode chegar a R$ 2 mil por mês. Não é impossível porque quem faz nosso salário somos nós mesmos", afirma Iraide Ribeiro de Paula da Costa, integrante da Cooperativa Recicla

 

O estudo da SAS, que resultou no livro “Um Retrato dos Trabalhadores de Material Reciclável de Joinville/SC”, também mostra que a maioria das pessoas que trabalham em cooperativas são mulheres (61,8%), enquanto que a maioria dos trabalhadores individuais são homens (67,7%). A faixa etária dos trabalhadores de material reciclável está em sua maioria entre 40 e 49 anos (23,6%), mas também há um grande índice de pessoas acima dos 60 trabalhando (16%).

Neste ano, a Cooperativa Recicla, uma das quatro que existem no município, passou a funcionar em um galpão no bairro Itaum. O espaço permitiu que o grupo melhorasse a infraestrutura, além de dar mais segurança aos trabalhadores. “Apenas em equipamentos, prensas e esteiras, investimos R$ 25 mil”, afirmou Anderson Ramalho da Silva, presidente da cooperativa. O galpão está sendo alugado pela Prefeitura e assim permanecerá por três anos e depois deste período, a responsabilidade pelo local passará a ser da associação. Contando com as cooperativas, Joinville hoje tem 31 galpões de separação de resíduos recicláveis.

Apesar de as cooperativas de reciclagem terem apoio da Prefeitura, o desenvolvimento da atividade ainda esbarra nas questões econômica e legal. Do ponto de vista financeiro, o dólar em alta está enfraquecendo o valor dos materiais recicláveis no mercado. “Houve queda na produção das empresas que utilizam material reciclável, porque o dólar alto encareceu a matéria-prima pura e há uma cota para utilização de material reciclável que é de 25%. Este grau de pureza deve ser respeitado, portanto, caiu a aquisição de material puro e consequentemente o de reciclável também”, explicou Marcus Rodrigues Faust, gerente da Unidade de Fomento à Geração de Renda da SAS.

Do aspecto legal, os trabalhadores de material reciclável de Joinville sofrem com a falta de regulamentação do uso do solo para a execução da atividade. Atualmente em Joinville só é possível exercê-la em aterros sanitários, de construção civil, de usinas de incineração ou de tratamento de resíduos. Um projeto de lei complementar está em tramitação na Câmara de Vereadores para que mais áreas da cidade permitam o uso para “Comércio de Separação e Seleção de Serviços para Reciclagem”. O PLC aguarda pareceres das comissões de Legislação e de Urbanismo.

“Além da situação financeira e do meio ambiente, o trabalho que realizamos tem a característica de atrair as gerações futuras. Há um vínculo familiar muito forte, pois várias trabalhadoras acabam trazendo seus filhos para trabalhar aqui também, o que torna a atividade mais do que um mero sustento e sim uma opção rentável e digna”, disse Silva.

A partir do estudo realizado pela Prefeitura, a SAS vai se empenhar em auxiliar cooperativas e trabalhadores individuais para que o segmento seja fortalecido. “Um dos nossos objetivos é aproximar as cooperativas para que elas tenham volume suficiente para vender o material diretamente para a indústria. Com isso elas conseguirão agregar valor aos materiais vendidos”, alegou Faust.

Atualmente as cooperativas recebem o material reciclável da coleta municipal e, após a separação (que vai além do tipo de material, mas também é feita por cor e estado), ele é repassado para os intermediários, que juntam volumes maiores para então vender para a indústria. “Também é preciso fazer um apelo à população que separe o lixo em casa, destinando o material orgânico em um lixeiro e o reciclável em outro, sem a necessidade de separar por metal, papel e vidro”, lembrou Faust.

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