Falta de energia causa a morte de 12 mil peixes na zona Sul de Joinville

Os prejuízos para os pscicultores locais somam R$ 70 mil


Carlos Junior/ND D
Carlos Junior/ND
Valério e Marizete tiram os peixes que agora só poderão alimentar urubus

Um problema na distribuição de energia elétrica pode ter sido a causa da morte de cerca de 12 mil peixes, entre tilápias e carpas, e milhares de camarões, cultivados em duas propriedades da Estrada Paranaguamirim, ontem. As chá­caras ficaram sem fornecimento de energia por aproximadamente 14 horas – entre a tarde de segunda-feira (4), quando houve tempes­tade, e a manhã de terça-feira (5). Tempo suficiente para matar os animais asfixiados. Isso porque os equipa­mentos que oxigenam as lagoas – movidos a energia elétrica – fi­caram sem funcionar. Os prejuízos nos dois locais somam R$ 70 mil.

Ainda na segunda-feira, depois de ficarem algumas horas sem energia, o piscicultor Valério Ba­tista, 55 anos, já ficou preocupado com o oxigênio dos peixes, mas acreditou que no início da noite o abastecimento seria normali­zado. Não foi. “A gente acordou e as lagoas estavam branquinhas de peixes boiando. Me bateu um de­sespero! Toda a produção já estava vendida. Ficamos um ano cuidan­do e fazendo de tudo para garantir a produção. Agora, na véspera de entregarmos os peixes, isso acon­tece. Nossa frustração é grande”, lamentava Batista.

O empresário mostra as tone­ladas de peixes mortos já retirados das lagoas, que no fim da tarde de terça, serviam tão somente para alimentar os urubus, que já rondavam as pilhas de peixes. “Ti­nha carpa de três quilos, tilápia, de quatro. Na semana que vem, eu iria entregar os peixes para uma empresa em Florianópolis, já tínhamos acertado a venda a R$ 3,40 o quilo. Investi muito e tudo se perdeu. 70% da produção ficou sem oxigênio e não resistiu. Um prejuízo de no mínimo R$ 30 mil”, avalia a companheira de Ba­tista, Marizete Bonin, 45.

Ontem à tarde, ela e outros dois amigos do casal ajudavam a retirar os peixes das lagoas. “Tem que recolher tudo e desprezar, se­não apodrece a água e os peixes que sobraram morrerão também”, explica Batista. “Quando a luz faltou, ligamos para a Celesc. Te­lefonamos a noite toda, pedindo providências, falando que nossos peixes iam morrer. Nos ignora­ram. Agora, quero saber quem vai arcar com o meu prejuízo? Todo o investimento que fizemos agora se perdeu”, questiona o piscicultor.  

Camarões desvalorizados

 Na propriedade vizinha à de Valério Batista, há duas lagoas onde são cultivados camarões. Por lá, a situação não foi diferente. De 70% a 80% da produção foi perdida por falta de oxigenação da água. “Desde ontem a tarde pedimos para a Celesc acelerar o reestabelecimento, que nossa produção não resistiria a mais de duas, três horas sem a oxigenação da água. Só hoje (ontem), perto das 9h, a rede foi reestabelecida. Os camarões, é claro, não aguentaram”, contou o piscicultor Claudemir Luz Trizotti, 36 anos.

“Passei a noite toda aqui, esvaziando a lagoa para tentar salvar alguma coisa da produção, mas o que deu pra salvar terá que ser vendido bem abaixo do preço de mercado. O que antes valia R$ 18 o quilo, agora não consigo R$ 7 pelo quilo”, comenta Trizotti, que gasta diariamente mais de R$ 300 em ração para os camarões. A conta de luz mensal dele fica em torno de R$ 800. “A gente ia tirar os camarões no início da próxima semana. Eles estavam prontos para ser comercializados. Agora, fiquei no prejuízo”, desabafa. Ele promete entrar na Justiça para cobrar o valor perdido da Celesc.

Celesc vai analisar situação

Na terça-feira à noite, o chefe regional da Celesc, Jefferson Benedet Arante, informou que o problema no abastecimento foi generalizado e provocado por causa do temporal. “78 ocorrências consideradas primordiais foram atendidas após o temporal. Temos que priorizar os casos que envolvem hospitais, bombeiros, alimentadores e locais públicos. De qualquer maneira, a energia nesta localidade já foi sanada. Nesta quarta-feira (6), vamos ver o que de fato aconteceu neste caso e tomar as providências cabíveis”, explicou. Ontem à noite, ainda havia uma localidade na zona rural que estava tendo o abastecimento de energia elétrica reparado.

Nestes casos, o chefe da agência regional da Celesc orienta que a comunidade ligue imediatamente para o 0800 48 0196 para comunicar a falta de energia e as situações especiais, como é o caso dos piscicultores.

Publicado em 06/03/13-15:31


Matérias relacionadas