Novo hospital de São Francisco do Sul está sob intervenção municipal para análise de gastos

Prefeitura descarta atos ilícitos, mas afasta a Organização Social da direção do Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Graça


Carlos Junior/Arquivo
Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Graça foi inaugurado em julho

Inaugurado há apenas seis meses, o Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Graça, de São Francisco do Sul, está sob a administração de um interventor. O prefeito Luiz Roberto de Oliveira, o Zera (PP), decretou uma intervenção do município desde 20 de dezembro de 2012. A OS (Organização Social) Cruz Vermelha de Santa Catarina, que administrava oficialmente a unidade, foi afastada temporariamente.
O prefeito nomeou o médico Sérgio Mattos Lomelino, que tem experiência em gestão hospitalar, como interventor legal da unidade. Segundo o advogado do município, Paulo Henrique Pessoa Olivet, a medida é cautelar. “Não há indícios de fraude. Estamos apenas levantando o processo de gestão para confirmar se os gastos estão adequados. Vamos fazer uma comparação das metas qualitativas e quantitativas”, alegou Paulo.

O Hospital Nossa Senhora foi inaugurado em julho de 2012 e, desde então, um contrato assinado com a OS Cruz Vermelha, permitia a administração da unidade. No documento estavam previstas algumas metas para que a Prefeitura de São Francisco garantisse o repasse mensal de R$ 600 mil para a unidade. A verba prevê pagamento de funcionários, conservação dos equipamentos e ambiente, além de compra de materiais e medicamentos.

Mas o último orçamento entregue pela Cruz Vermelha à Prefeitura chegou a R$ 950 mil. O valor incluía investimentos. “Mesmo assim, as metas de controle de gestão não estavam sendo alcançadas e o custeio do hospital já tinha ultrapassado os R$ 600 mil”, explica o advogado Paulo.
Ainda lembra que a Cruz Vermelha havia solicitado uma verba superior para evitar falta de materiais ou medicamentos. “Precisamos deixar claro que o atendimento não parou e não está prejudicado. A intervenção é de forma preventiva, para não dar problemas mais para frente, até para não prejudicar a população”, garante o advogado.

O próprio advogado ainda deixa claro que por enquanto não há nenhum indício de desvio de dinheiro público. Mas um diagnóstico minucioso está sendo feito para confirmar as reais necessidades financeiras do hospital e a quantidade de atendimento. A presidente da Cruz Vermelha, Rosangela Aparecida Medeiros, confirma que o valor repassado pelo município não supria as necessidades da OS para administrar o hospital.

Para ela, é preciso muito mais que R$ 600 mil. “Imagina fazer a gestão do hospital, pagando folhas, médicos, manutenção, equipamentos, medicação, alimentação. É preciso quase R$ 1 milhão”, avalia Rosangela.

Ainda confirma que entende a intervenção como uma medida necessária para revisar o repasse. “Só com um valor superior ao repassado hoje é possível fazer uma excelente gestão, que priorize a vida humana. Queremos evitar problemas futuros, não tendo condições de pagar os funcionários ou atender o paciente”, conclui a presidente.

Publicado em 08/01/13-08:18