Uma tragédia na lagoa de Balneário Barra do Sul

Cinco pessoas de uma mesma família se afogaram. Pai, mãe e filho de 10 anos conseguiram se salvar, gêmeos de 13 anos morreram


Fotos Carlos Júnior/ND



Onde foi: família tomava banho na lagoa de Barra do Sul quando caíram em uma área profunda

 

O fim de semana era para ser de diversão e descanso para a família de Elizete Soares Mira, 39 anos, e Paulo Selvi Weissheimar, 40, moradores do bairro Aventureiro, em Joinville. Eles, junto com os três filhos, aproveitavam o calor de sábado (29) na lagoa de Balneário Barra do Sul. Mas um descuido resultou no afogamento das cinco pessoas e na morte de dois filhos.

Por volta do meio-dia, a família percorria a parte rasa da lagoa quando caiu na área de passagem de barcos, com aproximadamente quatro metros de profundidade. A mãe, o pai e o filho mais novo, de dez anos, foram resgatados com vida por veranistas. Os adultos foram encaminhados para o Hospital São José, de Joinville, e o menino para o Hospital Infantil Jeser Amarante Faria. Os gêmeos de 13 anos morreram afogados. Eles não sabiam nadar.

O corpo de um dos irmãos foi localizado cerca de duas horas depois do acidente pelo auxiliar de operador de draga, Edson Teodoro de Souza. Ele, com ajuda de algumas pessoas, lançou uma rede para encontrar os meninos. O corpo do outro irmão foi encontrado perto das 17h, após busca com o auxílio de pescadores e moradores da região.

A operação de salvamento e localização dos corpos contou com a ajuda de bombeiros civis de Balneário Barra do Sul, Polícia Militar e Bombeiros Militares de Joinville. Mais de 20 pessoas estavam envolvidas na busca. Até o helicóptero Águia da PM foi chamado para colaborar.

Familiares, amigos e vizinhos estiveram no sepultamento dos dois meninos, no domingo (30) às 14h, no Cemitério Municipal. Os filhos moravam com Elizete, que está separada do marido há 15 anos. Os gêmeos estudavam na Escola de Educação Básica Professora Maria Amin Ghanem, na Cohab do Aventureiro, e iriam cursar a 8ª série neste ano. Eles nunca haviam ido à praia. A família viajou de manhã para Barra do Sul com planos de voltar no mesmo dia para Joinville.

Local perigoso para banhistas

É consenso entre moradores e pescadores da região que a lagoa deveria ser fechada para banho por causa dos perigos que oferece e pelo desconhecimento dos banhistas. Segundo a pescadora Alzira Conradi Persiki, 49, que ajudou na busca dos corpos dos meninos, as pessoas pensam que toda a lagoa é baixa. “A caída (que chega a quatro metros) é de repente. Eles tentam voltar por onde vieram, mas não dá por causa da maré”, explica. As maioria das vítimas são crianças.

A sugestão de Alzira é impedir que os banhistas façam a travessia. Mas para isso é necessário colocar rede de proteção, já que muitos não obedecem aos avisos de segurança. “Nem era para ser área de banho. É o único local com navegabilidade para os pescadores”, explica.  A pescadora também defende a iniciativa de trazer um salva-vidas para o local. 

Para a técnica de enfermagem e moradora de Joinville, Geovana Geremias Steffens, 35, o maior problema é a falta de sinalização das áreas perigosas. “Tem que ter sinalização ou salva-vidas”, defende.

As bandeiras vermelhas postas no local e uma placa rústica, alertando sobre o perigo, foram colocadas por Moacir Pereira, um ex-membro da Associação de Moradores da Costeira, que chegou a ser criticado pela atitude. Mas os avisos não são suficientes para preocupar banhistas. Crianças e famílias divertiam-se na água da lagoa, próximo ao local do acidente.

Testemunha

Edson Cardoso Pereira, morador de Joinville, passava o fim de semana na casa de familiares, em Balneário Barra do Sul, sem imaginar que testemunharia o acidente. Por volta das 12h ouviu uma mulher pedindo socorro na lagoa. Foi buscar boias de salvamento e se jogou na água, mas só conseguiu puxar Elizete. “Foi muito rápido. O pai pegou um dos filhos e tentou trazer. Os outros dois meninos afundaram”, lembra. Segundo Edson, não havia guarda-vidas no local. Somente visitantes e moradores ajudaram no resgate dos afogados. “Quem sabia nadar foi ajudar a salvar. A gente fez o que pôde”, comenta.

As vítimas retiradas da água com vida foram levadas para hospitais e liberadas. A mãe Elizete requer alguns cuidados, está em estado de choque pela perda dos filhos. Na tentativa de poder salvar os filhos, a mulher engoliu muita água e deve voltar ao hospital nesta segunda-feira (31) para fazer drenagem nos pulmões.

Publicado em 31/01/11-16:25


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