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Vias gastronômicas: as ruas da Grande Floripa que são ponto de encontro para comer bem

Avenidas como a Madre Benvenuta, no Santa Mônica, e o Passeio Pedra Branca, em Palhoça, transformaram-se nos novos centros gastronômicos da região

Beatriz Carrasco e Karin Barros
Florianópolis
23/10/2016 às 12H19

A cidade cresceu, e com isso vem mudando aquele movimento das famílias de deslocamento para o Centro em busca de lazer, compras e alimentação. O motivo disso é que grandes lojas, hipermercados e shoppings viram um nicho de valor em bairros que apontavam para o crescimento. O mesmo é visto na gastronomia: hoje, Florianópolis conta com mais de três mil restaurantes, segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

Presidente da associação, Raphael Dabdab avalia que é importante essa descentralização da cidade. “Um dos pontos é o uso misto dos espaços, onde há convívio entre os moradores, comércio e prestadores de serviço. Dessa forma,a qualidade de vida e até a mobilidade urbana melhoram. As vias gastronômicas são fundamentais para isso”, comenta. 

La Guirlanda, inspirado na cozinha francesa - Marco Santiago/ND
La Guirlanda, inspirado na cozinha francesa - Marco Santiago/ND



Desde a década de 1980, os arredores de ruas como a Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, e a Cônego Serpa, em Santo Antônio de Lisboa, tornaram-se polos de referência quando o assunto é a boa comida mané e o que é de melhor produzido na Grande Florianópolis: frutos do mar.

No caso de Santo Antônio, a rota se consolidou como “Sabores do Sol Poente”, com núcleo que reúne 22 associados, embora toda a extensão (Sambaqui, Cacupé e Santo Antônio) tenha mais de 60 estabelecimentos, segundo Leonardo Cabral Costa, empresário do ramo de ostras do local. Nesses casos, o associativismo vem para somar na região, já que os concorrentes se aliam para melhorar a segurança, divulgação da via e crescimento do bairro. A Abrasel tem acompanhado o movimento e apoiando projetos da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis), como o que acontece na rua Bocaiúva às segundas-feiras e o que aconteceu na última semana em Santo Antônio.

A rua Koesa, no bairro Kobrasol, em São José, também tem um projeto na mesma linha caminhando a passos curtos, mas que pode dar certo. A via faz sucesso na área continental há quase dez anos, e só agora, com o apoio da Aemflo (Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis) e do Núcleo Empresarial de Gastronomia criado por eles, pretende fortificar a gastronomia local com uma associação, que até o momento conta com quatro proprietários.

“O núcleo veio com o formato de Abrasel e realiza visitas técnicas nos restaurantes, estreitando as distâncias. Precisamos nos reunir para um bem comum, sem concorrência”, afirma o coordenador do projeto, Amauri Zabotti, também empresário da área no município.

Há oito anos na via, João Moacir Will é proprietário do Café Paris e afirma que havia uma demanda na região para negócios de alimentação. Segundo ele, os bairros de Barreiros, Kobrasol e Campinas vêm crescendo. “O comércio está acompanhando o crescimento, e quando várias operações são boas, uma ajuda a outra e vai virando um polo”, diz o empresário, que já está associado ao projeto da Aemflo.,



Na casa nova, para todos os gostos

Em uma caminhada noturna pela avenida Madre Benvenuta, no bairro Santa Mônica, o olfato é aguçado com as várias opções de restaurantes. Nos últimos três anos, a via tem se fortalecido como uma nova aposta da gastronomia em Florianópolis, que tem o selo de Cidade Unesco da Gastronomia desde 2014, a única no país.

Apesar da notável concentração desses estabelecimentos, nenhum projeto específico foi organizado até o momento para incentivar a região. Cercada de empresas de tecnologia, universidades e shopping, a avenida é visada por empresas de todos os nichos.

Entre os primeiros restaurantes que se instalaram na via, ainda no início do movimento gastronômico, está o La Guirlanda. Com decoração intimista que remete a um passeio pela França do passado, o local oferece cardápio de crepes inspirado nas cozinhas francesa e rústica, entre outras opções. O conceito foi desenvolvido pelo proprietário Igor Monteiro, que estudou em Paris e foi gerente do restaurante Les Cafés de laPyramide, no Museu do Louvre.

Ainda na Madre Benvenuta, mas com uma proposta bem diferente, está a hamburgueriaUncle Joe.Após cinco anos atuando apenas como delivery, o estabelecimento caiu no gosto do público e em março deste ano os dois sócios decidiram abrir o restaurante na avenida. Sem garçons e nem atendimento de mesa, o local atrai pessoas de todos os tipos.

“A ideia foi trazer para cá o verdadeiro hambúrguer americano, que é aquele do interior dos Estados Unidos, com ingredientes frescos e carne moída na hora, e não aquele dos fastfoods”, conta um dos proprietários, Luiz Felipe Reck. A via foi escolhida pela boa localização, segurança, disponibilidade para estacionamento e proximidade ao público-alvo.

O Sebrae apresenta com frequência projetos que apoiam e incentivam a gastronomia local. Segundo Soraya Tonelli, coordenadora regional do Sebrae Grande Florianópolis, o movimento gastronômico no Santa Mônica os motivou a realizar um levantamento de campo na região. “Mapeamos e identificamos 30 empresas ligadas à alimentação fora do lar que foram visitadas e nas quais foi aplicado um diagnóstico empresarial que vai nos orientar na formulação de soluções que incrementem a competitividade destes pequenos negócios”, afirma. 

Tradicional Coqueiros e a nova Pedra Branca

Localizado também na capital catarinense, mas na parte continental, o Brewmilleficava antes ‘escondido’ no bairro Areias, em São José, mas desde maio tem como nova casa a rua Desembargador Pedro Silva, em Coqueiros. “Escolhemos Coqueiros por uma questão estratégica de posicionamento da própria marca, pelo público-alvo e por conta, obviamente, da badalação e energia maravilhosa que sentimos aqui”, comenta Leonardo Abreu, um dos quatro sócios do estabelecimento.

O negócio começou ainda em São Paulo, há três anos, quando Leonardo vendia na rua os brownies que a mulher produzia em casa. Depois de fornecer para vários restaurantes, eles chegaram à Grande Florianópolis com a proposta que se mantém até hoje: “temos cuidado especial com os ingredientes, e nada é comprado de fora. Produzimos desde os pães até uma pequena horta, de onde extraímos os temperos que dão sabor aos pratos”.

Em Palhoça, o Passeio Pedra Branca se consolidou como referência na união de mobilidade, segurança, gastronomia, lazer, comércio e moradia. Formada em um espaço planejado, a localidade foi pensada para oferecer um mix de compras, gastronomia e serviços para quem quer tudo no mesmo lugar.

Coordenadora do Passeio, Clarisse Mendonça afirma que quase 60% dos estabelecimentos são relacionados a comida. “A gastronomia dá vida desde o início da manhã até a noite, e isso estava previsto dentro da concepção da empresa. Eventos são promovidos frequentemente para fomentar o fluxo externo do local, como festivais gastronômicos, eventos de páscoa e natalinos”, explica ela. Atualmente, o Passeio Pedra Branca recebe cem mil visitantes por mês, sendo que o maior fluxo é aos sábados e domingos a partir da tarde.

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