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Quarta-Feira, 29 de Março de 2017
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Especialista em economia criativa defende negócios com bens intangíveis em workshop

Lala Deheinzelin finaliza neste sábado uma série de três encontros que colocam em discussão a incorporação de elementos culturais e criativos para o desenvolvimento do país

Juliete Lunkes
Florianópolis
Rosane Lima/ND
Para Lala, criatividade e compartilhamento são a chave são as estratégias para o futuro

 

Com uma proposta inovadora de priorizar a geração de riquezas a partir de recursos intangíveis em vez de bens esgotáveis, a especialista mundial em economia criativa Lala Deheinzelin ministra em Florianópolis desde a última quinta-feira (2) o workshop “Economia Criativa e Colaborativa”. Em um total de três encontros, que encerram neste sábado, Lala coloca em discussão a incorporação de elementos culturais e criativos para o desenvolvimento de um negócio, recorrendo sempre à comunicação e à colaboração. Integrante da lista da P2P Foundation, que relaciona as 100 mulheres no mundo que estão contribuindo para o futuro, Lala conversou com o Notícias do Dia sobre as possibilidades do desenvolvimento do país tendo a economia criativa como estratégia e as formas eficazes de se trabalhar com ela.

 

Na economia criativa você defende uma economia a partir da criatividade, de bens intangíveis. Mas todo mundo consegue trabalhar com criatividade?

Sim. Criar é a natureza do gênero homo, produzir cultura, combinar coisas diferentes de outras maneiras. Nós estamos na transição de uma era em que o que valia era a parte tangível, material, concreta, então a educação não está feita para isso, por isso essa ideia de que só alguns conseguem. Claro que uns são mais talentosos que outros, mas a questão toda dessa mudança é passar a ter instituições que favoreçam o desenvolvimento dos nossos intangíveis, um foco mais no ser do que no ter.

 

O termo economia criativa é relativamente novo. Quando você se aproximou e começou a trabalhar nisso?

Eu já era da economia criativa, mas não tinha esse nome, se chamava cultura e desenvolvimento. Mas em 2004 o tema entrou no sistema ONU, quando teve a Conferência das Nações Unidas em São Paulo, e ficou decidido que esse era um tema estratégico que não tinha sido abordado para o desenvolvimento, e que precisaria criar um centro para isso. O Brasil se ofereceu para hospedar esse centro e me chamaram para pensar. Fui consultora responsável dentro da ONU na agência que fazia essa titulação, então até 2011 eu acompanhei a estruturação desse tema.  E aí eu vi necessidade de ir além das indústrias criativas.

 

Como está o mercado da economia criativa no Brasil hoje?

Retrocedeu extraordinariamente. Até 2008 parecia que a gente ia avançar bastante em termos de políticas, mas a maior parte das instituições não conseguiu avançar o suficiente. Nós perdemos o bonde de poder ser o que o Reino Unido é, ter na economia criativa a sua estratégia. O que acontece é que temos empreendedores, nisso avançou bastante, mas não é uma estratégia de Estado, e é uma pena. O que deu para perceber, e por isso eu passei a defender economia criativa em vez de indústria criativa, é que isso é mais do que um setor da economia. É a maneira de desenvolver as nações.

 

Um exemplo em que o Brasil poderia se espelhar seria então o Reino Unido?

A gente teria que se espelhar no Reino Unido, na China, na Islândia, no Uruguai, no Equador, e a até a Bolívia está mais inteligente que nós em algumas coisas porque está muito ligada em estruturar as coisas de forma colaborativa.

 

Como funciona essa questão do compartilhamento que você defende? Está dentro da economia criativa?

Não necessariamente, é uma maneira diferente de se fazer. Você pode ter uma economia criativa que pode não ser nada compartilhada, mas se você vê outras maneiras de trabalhar vai tornando a sua possibilidade de empreendimento cada vez mais sustentável e abundante. E há uma terceira forma, a colaborativa, que é o que é feito de forma distribuída em rede direta entre as pessoas.  

 

Você diz ser futurista, o que exatamente isso quer dizer?

Eu trabalho com estudos do futuro há 20 anos. Na história da humanidade o futuro demorava muito tempo para chegar, levava 500 anos para mudar algo, e agora muda muito rápido. O futurista olha e tenta entender o que está acontecendo. Antes se pensava no que é provável que aconteça, mas se é provável é porque já aconteceu, então será que serve paro o futuro? Como ele muda muito, o que servia pode não servir mais. Então primeiro temos que ver o que é desejável, assim aumentamos as possibilidades. Como futurista eu digo: sabe aquilo que usávamos no passado? Não serve mais. E aí, o que nós vamos fazer?  

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