Tom Custódio da Luz faz parte da nova safra de compositores catarinenses

Prodígio - Cantor e compositor é crítico com relação à música e aos seus propósitos. Ele mudou-se para São Paulo no final de fevereiro

Carol Macário
Carol Macário


Florianópolis

Janine Turco / ND
 Em 2011 Tom Custódio da Luz participou do Festival da Canção de Balneário Camboriú e saiu venecedor. Foi a primeira vez que se apresentou para um grande público

A música provoca um sentimento oceânico. Tom Custódio da Luz, 22, cantor e compositor, não sabe de onde vem essa frase, mas recorre a ela para explicar sua própria musicalidade e poesia, as duas formas com as quais mais livremente se expressa. Com uma profundidade tocante para alguém tão jovem, o músico é um dos novos talentos que despontam no cenário musical de Santa Catarina e que, pena para quem fica, embarcou no final de fevereiro para São Paulo, com sonhos e projetos na bagagem. Lá, na cidade grande, pretende tocar sua carreira e buscar oportunidades que nem sempre se encontram por aqui.

Nilton Custódio da Luz Filho, o Tom, nasceu em Blumenau. Crítico, ele veio para a Capital para estudar música, na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), faculdade que largou depois de dois anos – em tempo de não perder o encanto. “Fiquei desgostoso da maneira como a instituição trata a música”, diz. Ele se explica. “Em alguns meios acadêmicos, a música é tratada como um elemento hierarquizante, há uma ‘ética da música’, a boa e a ruim”, declara ele. “Como se a música pudesse servir a bons propósitos ou a maus propósitos.”

Para ele, a música não serve a algo, porque a arte não é passível de ser tornada produto de um “tarefismo” ou “produtivismo”. “A música serve para fruição”, diz.

Amante também da literatura, o músico gosta mesmo é de escrever canções e considera essa a melhor parte do processo musical. “O fato de escrever uma letra em tempos de tecnocracia já é uma rebelião”, afirma ele, em alusão aos temas que o inspiram para compor. “Qualquer coisa me inspira. Tenho motivações políticas também, mas a dor me inspira muito.” Ele também não se enquadra nos gêneros rock, jazz, MPB, bossa nova, mas passa por todas essas referências, às vezes ao mesmo tempo, ou então conforme seu contexto emocional.

Música ocupou todos os espaços

Tom Custódio da Luz começou a se interessar por música aos 14 anos. “Comecei a escutar bandas como Oasis e Green Day. Eles de alguma maneira me despertaram para o fazer música”, conta. Tanto que suas composições de estréia eram tentativas de músicas da banda britânica. As primeiras músicas eram letras sem harmonia, porque ainda não tocava nenhum instrumento. Hoje o violão é seu fiel companheiro.

“Desde criança gostei muito de arte. Quando menino queria ser ator e fiz teatro até os 15 anos”, lembra. Foi quando a música ocupou mais espaço. Desde então ele já compôs mais de 50 canções – 13 delas estão em seu primeiro CD, “Fuga”, lançado em julho do ano passado. Em 2012 ele também celebrou alguns momentos marcantes em sua carreira, como a apresentação ao lado de Malu Magalhães, outro novo talento da música brasileira.

Agora que assumiu a música – ele chegou a cursar dois anos de psicologia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), ele pretende fazer muitas coisas. “Quero fazer shows, gravar muitos CDs, trilha sonora de filme e teatro – quero escrever peças de teatro – escrever no jornal.” Ele não quer pouco. “Quero me expressar de todas as maneiras. E já que não tenho talento para pintar, desenhar ou dançar, então eu canto e escrevo.”

Saiba mais: www.tomcustodio.com.br

 

Publicado em 11/03/13-10:27