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Quarta-Feira, 29 de Março de 2017
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Seminário em Florianópolis destaca inovação tecnológica e transformação social

Social Good Brasil promove palestras sobre economia criativa, inovação e impactos na sociedade, e premia três projetos com um investimento-semente

Rafael Thomé
Florianópolis

O uso de tecnologias e novas mídias para a transformação social ganhou mais um impulso em Florianópolis. O Seminário Social Good Brasil (SGB) 2015, que começou quinta-feira e termina nesta sexta-feira (13), no CIC (Centro Integrado de Cultura), promove uma série de palestras sobre economia criativa, inovação e impactos na sociedade, e premia três projetos com um investimento-semente para sua execução, como parte do programa SGB Lab de apoio a empreendedores sociais.

Flávio Tin/ND
Lígia Sena (à esq.) e Nani Fauser desenvolveram o site "Cientista que virou mãe"


Para a coordenadora do seminário, Cecília Mozzaquattro, o evento funciona como um ambiente que inspira e conecta pessoas para estimular o engajamento e a inovação. “Falamos sobre objetivos do desenvolvimento sustentável, empoderamento feminino, mudanças climáticas e como organizações sociais, empresas e startups podem aumentar o impacto que podem promover na sociedade”, afirmou.

Parte da estratégia de fomento à inovação social está baseada no SGB Lab, que premiará, nesta sexta-feira, as três iniciativas, entre as seis finalistas, mais votadas pelo público presente no seminário. Entre os projetos está o site “Cientista que virou mãe”, desenvolvido por Ligia Moreira Sena e Nani Fauser. “É a primeira plataforma de informação produzida exclusivamente por mulheres mães. Os temas são voltados para a condição feminina e para a infância, com um olhar que passa pela maternidade e pela paternidade, sem a preocupação mercadológica da mídia convencional”, explicou Ligia, paulista radicada em Florianópolis há dez anos.

A preocupação com o desenvolvimento social passa, invariavelmente, pela educação. Pensando nisso, a jornalista Cinthia Grecco criou a plataforma “Quero na escola”, na qual estudantes da rede pública dizem o que gostariam de aprender e voluntários vão às escolas para ensiná-los. “Em 2014, metade dos jovens de 19 anos abandonou a escola sem terminar o ensino médio. Procuramos entender o ‘desinteresse’ e vimos que o currículo imposto nem sempre atende aos estudantes. Com base nisso, pensamos que se a gente atendesse os interesses deles, eles se interessariam mais. Em dois meses já tivemos pedidos de três estados diferentes e já conseguimos atender presencialmente 320 alunos”, disse.

Economia criativa e novos modelos de gestão

Além de incentivar o desenvolvimento tecnológico para a transformação social, o Seminário SGB debate, também, economia criativa e novos modelos de gestão. “Um evento como esse firma Florianópolis como uma cidade que junta tecnologia e economia criativa para melhorar o mundo. Florianópolis é uma cidade atraente pelas belezas naturais, mas queremos que seja também um centro que reúna jovens empreendedores”, comentou a presidente do conselho deliberativo do ICom (Instituto Comunitário Grande Florianópolis) – ONG parceira do SGB, Lúcia Dellagnelo.

A norte-americana especialista em subcultura e inovação que surge de lugares inesperados, Alexa Clay, foi um dos destaques do seminário. Em sua palestra, disse estar curiosa para ver como diferentes tipos de gestão econômica e profissional vão se desenvolver nos próximos anos. “Este é um momento de transição, onde as pessoas estão buscando diferentes ambientes profissionais, com mais autonomia, informalidade e flexibilidade. Muitas pessoas que estão marginalizadas têm espírito empreendedor, mas têm menos acesso aos meios. Mesmo assim, podemos aprender a usar esses métodos para ações positivas”, afirmou.

FINALISTAS

Cientista que virou mãe: site de informação sobre saúde, condição feminina e infância, produzida por mulheres mães e financiada pelos leitores.

Quero na escola: plataforma digital para o estudante da escola pública pedir o que quiser aprender além do currículo obrigatório e a sociedade saber como participar.

Massacuca: plataforma de ideias de brincadeiras fáceis de fazer, usando apenas objetos comuns e de baixo custo, que contribuem para o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.

Hands free: programa de computador que permite que pessoas com deficiências físicas consigam controlar, pelo movimento da cabeça ou pelo comando de voz, todo ambiente da casa.

Praças: plataforma colaborativa que atua na revitalização de praças degradadas e abandonadas, com ativação comunitária, co-criação de projetos, gestão e manutenção dos espaços.

Letras de médico: software que gera receita médica baseada em pictogramas e design de informação com o intuito de facilitar o entendimento dos pacientes.

 

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