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Quarta-Feira, 29 de Março de 2017
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Pesquisadora conta em Florianópolis como será a expedição que alerta para contaminação dos oceanos

Estudo liderado por mulheres busca sensibilizar a população sobre os estragos causados pelo lixo plástico

Rafael Thomé
Florianópolis

Uma expedição marítima internacional, com partida do Brasil, promete jogar novas luzes em dois temas debatidos atualmente: sensibilização ambiental e empoderamento feminino. No dia 3 de dezembro, a Amazon Exxpedition (com dois “X”, em referência aos cromossomos sexuais), composta por 13 tripulantes mulheres de diferentes países, parte de Recife (PE) em direção à Georgetown, capital da Guiana, para uma missão de coleta de dados e amostragem do nível de toxidade desta área do Oceano Atlântico.

Daniel Queiroz/ND
Canadense Rachel esteve em Florianópolis para “recarregar as energias” antes de zarpar para Recife


Em Florianópolis para “recarregar as energias” antes de zarpar, a bióloga canadense Rachel Labbe Bella, 29, conta que o projeto é dividido em duas frentes. “Tem o projeto Sea Search, onde vamos coletar amostras da água e plásticos que estão boiando na superfície do mar para avaliar a composição e o nível de toxidade. Outra parte é o Me Search, que é um estudo em conjunto com a ONU, em que vamos amostrar nosso sangue para ver quanto temos de contaminação dentro de nós. Será um teste de 30 tipos de tóxicos, como DDT e pesticidas, PCBs (Bifenilpoliclorado) e outras substâncias que vêm do plástico”, explica.

Com o estudo em mãos, o intuito é divulgá-lo para fomentar mudanças de hábito e de consumo na população mundial. “Queremos fazer um link entre a quantidade de tóxicos que temos no corpo e quais suas origens, para incentivar as pessoas a pararem de comprar produtos que tenham esses tóxicos. Há muitos produtos que a gente acha que são seguros, mas nunca nos perguntamos se realmente são”, pondera Rachel. “A gente não quer forçar as pessoas a mudar, queremos colocar esse assunto em pauta e proteger as coisas que amamos: nossa saúde e o mar”, completa.

A Amazon é apenas uma das viagens do projeto Exxpedition, que começou com a Ascension – travessia do Atlântico saindo da Costa do Marfim, na África, em direção à Recife. Depois de trocar a tripulação em Pernambuco e partir para a Guiana em dezembro, haverá a Caribbean Exxpedition (Caribe) em fevereiro de 2016 e, em agosto, a Great Lakes Exxpedition (EUA e Canadá). O barco Sea Dragon, de 62 pés (aproximadamente 22 metros), será rastreado por satélite durante as viagens e os interessados podem acompanhar o trajeto pelo site exxpedition.com.

Mulheres no leme

Em cada uma das expedições do projeto, a tripulação do Sea Dragon é composta exclusivamente por 13 ou 14 mulheres. Três delas são velejadoras, mas as outras têm formação em diferentes áreas do conhecimento. “Boas ideias saem quando pessoas de áreas diferentes se juntam para criar ou incentivar uma mudança. Temos advogadas, geógrafas, jornalistas, contadoras de história, designers... São mulheres que querem se esforçar e levantar o debate na sociedade de todas as formas possíveis”, diz Rachel.

A decisão de formar equipes apenas do sexo feminino também visa combater o machismo e fomentar a igualdade de gênero na sociedade. No Brasil, por exemplo, a pesquisa anual da Catho (agência de empregos) aponta que, em 2015, as mulheres ainda recebem 30% a menos que os homens na mesma função. “Normalmente, as meninas não estão representadas nesse tipo de expedição ou mesmo nessas profissões. Queremos promover as mulheres nessa área chamada de Steam – ciências, tecnologia, engenharia e matemática – e inspirá-las para se representarem melhor e tomar conta daquilo que fazem”, afirma Rachel.

Consumo consciente

Um dos principais objetivos da Exxpedition é fomentar mudanças de hábitos e de consumo da população mundial, que se vê frente a uma crise ambiental sem precedentes: de acordo com a Associação Americana para o Avanço da Ciência, os oceanos do planeta recebem, em média, 8 milhões de toneladas de lixo plástico por ano. “Temos que evitar uma vida de plástico, principalmente o descartável. Usamos por um minuto e descartamos, mas ele dura mais de 400 anos na natureza”, afirma Rachel.

Para sua viagem de Recife à Guiana, a bióloga trocou alguns dos itens básicos de viagem e substituiu o plástico (em suas diversas formas) por garrafas de aço, toalha de algodão com cera de abelha para embalar comida, bolsas esportivas e biquínis feitos de produtos recicláveis e até protetor solar feito de zinco, vitamina E, óleo de gergelim e cera de abelha. “A mudança tem que começar com o consumidor, mas também tem que chegar aos governos. Se for ver, a mudança traz diversos benefícios econômicos e proteção ambiental”, comentou.

Exxpedition Amazon

Duração: de 3 a 21 de dezembro

Largada: Recife (PE)

Chegada: Georgetown (Guiana)

Distância: aproximadamente 5.000 km

Pesquisa: coleta de amostras da água e de sangue da tripulação para avaliar o nível de toxidade

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