Última grande nevasca no Morro do Cambirela, em Palhoça, havia sido registrada em 1942

Jornais da época registraram o fenômeno na Grande Florianópolis

Paulo Clóvis Schmitz
Paulo Clóvis Schmitz


Florianópolis

Naquele domingo, 5 de julho de 1942, quem desceu pelas ruas laterais à praça 15 de Novembro ou abriu as janelas para a baía Sul se deparou com um fenômeno raro. O Cambirela amanheceu coberto com um “alvinitente capuz de neve, onde o sol tímido brincava, espalhando reflexos argentinos”, na descrição do jornal “O Estado”. Registros de historiadores e cronistas dão conta de que os ilhéus ficaram boquiabertos com a cena, porque a grande nevasca anterior que cobrira a montanha datava de 30 de julho de 1858 (84 anos antes) e constava dos relatos do almirante Lucas Boiteux, em suas “Efemérides”.

 

Daniel Queiroz/ND
Morro Cambirela Palhoça Florianópolis
Cenário como o de terça-feira é uma raridade na região


Sete décadas atrás, os jornais tinham tamanho standard, quatro páginas diárias e amplo domínio do noticiário internacional, alimentado por agências. Naqueles dias de guerra, repercutia-se o afundamento de navios brasileiros no Atlântico e a aproximação das tropas alemãs da fronteira russa. As manchetes eram antinazistas e as notícias internas criticavam Benito Mussolini e Oliveira Salazar, que comandavam Itália e Portugal, com mãos de ferro. Anúncios procuravam vender loções femininas e remédios para reumatismo.

:: Imagens aéreas mostram Cambirela coberto pela neve

No dia 6 de julho, quebrando a tradição, “O Estado”, cujo diretor-gerente era o escritor Altino Flores, publicou uma coluna na margem esquerda da capa com informações que chegavam de São Joaquim e Campos Novos, transmitidas pelo pintor Martinho de Haro (que era joaquinense), dizendo que a camada de neve naquelas cidades havia chegado a 30 centímetros de espessura. Na Capital, na véspera, o morro leste do Cambirela, pelas bandas do Cubatão e Teresópolis, acordou branco como nunca. A temperatura chegou a zero grau em Florianópolis, em Palhoça e Biguaçu (grafava-se Biguassu), e em São José atingiu 10 graus abaixo de zero.

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O “Diário da Tarde”, de Adolfo Konder, noticiou, também em 6 de julho, que a “serra do Capivary, contraforte do Taboleiro”, amanheceu “com um vasto lençol de neve em seu cume, o que foi visto a olho nu, desde cedo até 13h”. E fechava com a ressalva: “Esses espetáculos são raros serra abaixo e principalmente nas vizinhanças do mar”.

:: Neve atinge o Morro do Cambirela, em Palhoça

Publicado em 24/07/13-07:32


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