Um monumento ao abandono, casarão de Águas Mornas está em ruínas

Casarão centenário se deteriora enquanto proprietária e prefeitura não se entendem

Alessandra Oliveira
Alessandra Oliveira


Águas Mornas

 

Donizete Souza
LIminar impede que casarão seja derrubado

Dois anos se passaram desde que uma liminar do Ministério Público impedisse que o Casarão Philippi, em Águas Mornas, fosse demolido por sua nova proprietária, a aposentada Pascoalina Penha, 84 anos. Ainda sem uma definição sobre o futuro, o prédio de 186m² construído em 1907 por imigrantes alemães, se curva diante das ações do tempo.

Preço elevado exigido pela dona e falta de verba da prefeitura de Águas Mornas para adquirir o espaço são obstáculos que atrasam a restauração e entristecem os que desejam preservar as memórias arquitetônicas da região. A promotora de Justiça, Vânia Lúcia Sangalli, estipulou o valor de R$ 500 mil caso seja descumprida a liminar proibindo a demolição do prédio.

Construído por imigrantes alemães, o edifício da rua Germano José Stainback, no bairro Vargem Grande, já abrigou comércio e foi moradia de três famílias distintas. A última delas foi a Vieira. O vendedor Hipólito Vieira, 58, conta que adquiriu a propriedade do pai para evitar que ela caísse nas mãos de estrangeiros, interessados em explorar as águas termais da região. “Tive de me desfazer para aplicar em outro projeto pessoal”, justifica.

Logo que adquiriu a propriedade, Pascoalina anunciou que demoliria a antiga casa, localizada em um terreno de mais de 12 mil m², próximo à rodovia BR-282. A comunidade ficou revoltada ao saber que um posto de combustíveis seria construído no local.

“Se houvesse mais mobilização creio que o prédio não se perderia”, defende Hipólito, lembrando que até música já compôs para a casa onde passou os momentos mais doces de sua vida ao lado dos sete irmãos. “As paredes são fortes vale a pena restaurar”, pede, sem muita esperança.

 

Sem valor arquitetônico          

“A casa está afundando. Não tem valor nenhum”, afirma Pascoalina. A aposentada que reside a poucos metros do Casarão Philippi diz que não esperava incômodos quando comprou o imóvel. “Paguei R$ 265 mil”, diz. A idosa critica a obra ao afirmar que não se trata de arquitetura vitoriana. “Morei numa casa deste estilo na Inglaterra”, recorda sobre as obras ricas em ornamentos, segundo o costume dos tempos prósperos do reinado da Rainha Vitoria, no século 19 no Reino Unido.

Mãos atadas

A falta de verba para aplicar na aquisição e restauração do prédio faz o secretário de Cultura de Águas Mornas, Luiz José da Silva, lamentar a degradação da obra centenária. Dia após dia janelas, portas e paredes resistem menos às duras ações do tempo. “Já estudamos a hipótese de desapropriação”, garante Silva, que lastima ainda a baixa arrecadação do município de 5.500 habitantes. “Acredito que algo deva ser feito em no máximo cinco anos. Depois será tarde demais”, alerta.

O promotor público José Eduardo Cardoso afirma que uma desapropriação deveria ser a medida tomada pela prefeitura. “Se nada for feito os responsáveis serão penalizados. Entre eles dona Pascoalina”, assevera Cardoso, defendendo a memória dos imigrantes alemães. “O casarão é patrimônio histórico e arquitetônico da cidade”, ressalta.  

Publicado em 04/03/11-10:04

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