Homem tem parada cardíaca e morre após ficar sem atendimento em posto de saúde de Florianópolis

Segundo familiares, a recusa no atendimento foi por causa da greve dos servidores municipais; médica conta outra versão

Alessandra Oliveira
Alessandra Oliveira


Leonardo Thomé
Leonardo Thomé

Florianópolis

*Atualizada às 17h30

Um homem de 48 anos sofreu uma parada cardíaca no meio da rua após não receber atendimento no posto de saúde do bairro Agronômica, em Florianópolis, na manhã desta sexta-feira (11). O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado para tentar reanimar o paciente, mas ele não resistiu e morreu no local.

Marco Santiago/ND
Silvio caiu no meio da rua ao voltar para a casa, na Agronômica

 

De acordo com familiares, o vigilante Silvio Cesar de Souza chegou em casa pela manhã já indisposto e com dores no peito. Ele tomou um copo d’água, esperando que a dor aliviasse, mas como não melhorou, foi acompanhado pela mãe, Nilza Silva de Souza, de 77 anos, até o posto de saúde.

Nilza contou que, já na unidade, o atendimento foi negado por causa da greve dos servidores municipais, sendo orientados a procurar um hospital. Quando voltavam para a casa, no entanto, Souza caiu enquanto subia a servidão Espaminondas V. de Carvalho, já com parada cardíaca.

Assim que soube do problema apresentado pelo paciente, a médica da unidade foi até a servidão para oferecer ajuda. “Fui chamada porque soube que ele tinha desmaiado no caminho e vim atender”, comentou. “Eu não vi o que aconteceu porque estava em atendimento quando ele foi até o posto, mas o que a pessoa da recepção me disse é que ele foi orientado a esperar ou a procurar um serviço de emergência. Mas ele optou por ir em um serviço de emergência e caiu no caminho”, contou a médica Vânia Andriani.

A Secretaria Municipal de Saúde lamentou o ocorrido e afirmou que será aberta uma sindicância para apurar todos os fatos.

Alex Santos, presidente do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis), garante que os médicos do posto de saúde da Agronômica não aderiram à greve. Afirmou ainda que as unidades de atendimento básico de saúde “não dispõe de equipamentos” para esse tipo de atendimento: “Foi uma fatalidade e não teve nada a ver com a greve. O quadro do cidadão não se enquadra no atendimento básico de saúde. Ele tinha que ser atendido no hospital, em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou pelo Samu”.

Publicado em 11/03/16-09:44

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