Santa Catarina tem baixa adesão na segunda paralisação nacional dos caminhoneiros

Mobilização no Estado ocorreu em São Miguel do Oeste, Concórdia, Irani e Maravilha

Rafael Thomé
Rafael Thomé


Florianópolis

A quinta-feira foi marcada pela retomada dos protestos dos caminhoneiros autônomos em, pelo menos, cinco estados do país. A iniciativa aconteceu um dia depois de uma reunião com representantes do governo federal, na qual não houve acordo relação à tabela de valor mínimo para fretes e ao valor do litro do óleo diesel. Em Santa Catarina, a mobilização começou à meia-noite com um ato nas margens da rodovia BR-282, em São Miguel do Oeste, ganhou adesão em outras cidades, como Concórdia, Irani e Maravilha, e seguiu durante a noite.

Lucas Serapio/Portal Peperi/ND
Em São Miguel do Oeste, poucos veículos de carga pararam no trevo da BR-282


Se nos protestos de fevereiro o estado teve papel protagonista na mobilização nacional, desta vez começou mais devagar. “De certa forma, temos menos pontos de bloqueio em Santa Catarina por causa da tragédia em Xanxerê. Apesar disso, no Brasil, em um dia, conseguimos fechar mais pontos do que fechamos em cinco dias de mobilização em fevereiro”, afirmou Vilmar Bonara, de São Miguel do Oeste. De acordo com o caminhoneiro, os protestos devem seguir durante o dia de hoje, podendo se estender pelo final de semana se o governo não sinalizar novas negociações.

“Sufocados” pela livre concorrência do mercado, cuja maior parte é dominada por grandes empresas transportadoras, os motoristas autônomos reclamam que, sem uma tabela de valor mínimo para o frete, não têm como seguir com o transporte de cargas. “As transportadoras estão se matando entre elas. Um trabalho que era de R$ 4.800, tem empresa baixando para R$ 4.100 para tomar conta do frete e tirar os outros fora. Quem está pagando o pato somos nós”, disse Michael Roberto da Rocha, 36, caminhoneiro de São Sebastião do Caí (RS) que trabalha como autônomo em São José há seis anos.

Durante a reunião de quarta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, argumentou que seria inconstitucional criar uma tabela de valor mínimo para frete e sugeriu uma tabela de preço referencial, o que foi rechaçado pela categoria. "Desde o começo eles estavam avisados que a principal reivindicação é a tabela mínima de frete. Esperávamos mais coerência deles. É sempre em benefício de políticos e grandes grupos. A [tabela] referencial não aceitamos de jeito nenhum", disse Diego Mendes, caminhoneiro autônomo na região do Nordeste.

Os estados mobilizados ontem foram Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Ceará.

Ato é cancelado na Grande Florianópolis

Um protesto estava marcado para a tarde desta quinta-feira em um posto de combustível às margens da rodovia BR-101, na altura do km 200, em São José, mas a baixa adesão nacional desmobilizou os caminhoneiros. “Vamos esperar para ver se a greve vai ser levada a sério, para não prejudicar aqui. Queremos fazer amanhã (hoje) de tarde, porque sei que atrapalha e não queremos a população contra nós”, disse Rogéria P., dona de uma pequena agência de cargas que preferiu preservar o sobrenome.

Segundo Rogéria, a intenção dos caminhoneiros da Grande Florianópolis é demonstrar a insatisfação com o governo federal e o Ministério dos Transportes e fazer o protesto no pátio do posto, sem interditar a rodovia. “Vamos encostar no posto de gasolina e se tivermos que passar a noite mobilizados, vamos ficar. Temos que reivindicar e mostrar que o transporte de cargas no país está sucateado. Os caminhoneiros estão trabalhando de teimosia, porque o transporte está falido”, encerrou Rogéria.

Publicado em 23/04/15-19:31