Willy Zumblick, o retrato da condição humana

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Florianópolis

Lélia Pereira da Silva Nunes

Socióloga e escritora

 

Divulgação

Tubarão em festa celebra o centenário de nascimento de Willy Zumblick, o filho ilustre que, como um vendaval da palheta, por 75 anos, numa sinfonia de cores, exuberância de luz, paixão pela terra, pelo ser humano, pintou muito, intensamente, encantando-nos com a magia de sua arte. “Quantos metros quadrados de tela ele já cobriu com as suas imagens e temas?”, perguntou-lhe Guido Mondin, artista plástico e político gaúcho, em setembro de 1993. Nem Zumblick soube quantificar. O que importa, de fato, é o seu incontestável talento, a sua assinatura inconfundível ao dar vida às formas e personagens, deixando fluir a emoção e nos remeter ao imaginário mítico de sua criação, o que o faz senhor de uma tipicidade singular no panorama da pintura catarinense, inscrevendo seu nome entre os expoentes da arte brasileira.

 

Como tubaronense, tenho o maior orgulho de ser conterrânea de Willy Zumblick e creio que já nasci admirando sua arte, pois desde menina descia “a Rua da Igreja” onde morava, atravessava o trilho do trem e me postava com o nariz colado na vitrine da Ótica Zumblick a contemplar fascinada as suas pinturas.

Como socióloga e estudiosa da Cultura Popular Catarinense, encontrei na obra de Zumblick um componente importante da memória coletiva de Santa Catarina. Ao documentar o seu acervo em 1992 e 1993, compreendi o valor inquestionável do artista Willy Zumblick e do cidadão, o “seu Willy” – um universo inigualável com o qual tive o privilégio de conviver.

Verdadeiro patrimônio artístico catarinense, ele foi cronista do pincel ao registrar fatos históricos de Santa Catarina, ao perenizar o feitio singular do homem, da mulher, da criança e do velho, as tradições e as crenças ancestrais – imagens da realidade absoluta a comungar com o imaginário ou a compor poesia com os pincéis e tintas.

Com paixão, o pintor cantou Santa Catarina e fez da Bandeira do Divino uma imagem constante na obra, o que lhe valeu o título de “Pintor das Bandeiras do Divino.” Sua arte será sempre de intervenção e respeito à condição humana: do último carijó, do negro escravo, do imigrante e seu legado enraizado e expandido nesta terra de Santa Catarina. O olhar atento alargou-se no desenho da história catarinense. São  telas exemplares da personalidade forte de Zumblick: a proclamação da República Juliana, a prisão de Dias Velho, o fuzilamento do Barão de Batovi, a saga de Anita Garibaldi, o conflito do Contestado.

Sua arte é o seu retrato fisionômico, sua voz de profunda humanidade, e por esta humanidade se fez credor da admiração dos catarinenses e da comunidade de Tubarão.

Parabéns Santa Catarina, obrigada “seu Willy”!

Publicado em 28/09/13-10:00